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Cuiabá (MT), 02 de julho de 2020 - 05:46

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Modelo de ensino remoto é inacessível a maior parte dos estudantes

A maioria das universidades e institutos federais não aderiu ao ensino remoto durante a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Conforme página criada para monitorar o funcionamento das Instituições de Ensino Superior, apenas nove das 69 universidades federais implementaram este modelo e, mesmo assim, com grandes problemas e dificuldades. A Portaria nº 544 do MEC, de 16 de junho, prorrogou até dezembro a autorização para aulas online.

As universidades que aderiram às aulas online são: do ABC (UFABC), do Ceará (UFC), da Fronteira Sul (UFFS), do Maranhão (UFMA), de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Santa Maria (UFSM), de Itajubá (UNIFEI) e, mais recentemente, de Alfenas (UNIFAL) e Lavras (UFLA). A FASUBRA Sindical ouviu representantes de entidades de base e estudantes sobre como anda a adoção desse modelo. O resultado é unânime: a improvisação e precarização demonstram que não há preocupação com os estudantes e sim com o desmonte da universidade pública.

UFABC – ABC

Para Felipe Cesar Torres Antonio, coordenador do SinTUFABC (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do ABC) e também da FASUBRA, a UFABC conseguiu “maquiar” o seu programa de ensino remoto como se fosse um programa emergencial. “Nós do Sindicato, junto com o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e diversos membros da comunidade tentamos combater a sua implementação, infelizmente sem sucesso”, lamenta.

Na opinião de Felipe, o programa tem um formato totalmente excludente porque não contempla diversas questões da vida familiar, em um momento em que a universidade foi transferida para a casa do aluno. “Nem todos têm os mesmos recursos. O Ensino Continuado Emergencial (ECE) foi aprovado de uma forma que não enxerga o corte de renda. Ele pressupõe que as pessoas têm acesso à internet e à tecnologia, não é inclusivo, não pensa em estrutura familiar. É um projeto elitista, segregador. Ele ensina que no momento de dificuldade devemos excluir o nosso semelhante, principalmente os mais vulneráveis”, destaca.

Victória Rossetto Costa, graduanda em Ciência e Tecnologia e representante Discente da Comissão Permanente de Acessibilidade da UFABC, também concorda que falta acessibilidade nessa modalidade. “Não existem recursos necessários para os estudantes com deficiência, o que é grave porque desrespeita o artigo 55 da Lei 13.146”, afirma.

Kaio Barbosa Laurentino, formado em licenciatura em Filosofia e bacharelado em Filosofia e Políticas Públicas na UFABC, concorda que há uma grande contradição ao instituir o ensino emergencial. “A própria UFABC, por ser uma das universidades que foi modelo do programa de reestruturação universitária, o Reuni, carrega essa discussão de inclusão que é um dos pilares do projeto pedagógico”, lembra.

UFFS – Fronteira Sul

Alexandre Luis Fassina, coordenador-geral do Sindtae (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação de Universidades Federais nas cidades de Chapecó, Estado de Santa Catarina, Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo, Estado do Rio Grande do Sul, Laranjeiras do Sul e Realeza, Estado do Paraná) explica que, na UFFS, uma resolução do Consuni (Conselho Universitário) normatiza a modalidade, mas as aulas só podem ser ministradas mediante solicitação do docente e se todos os alunos concordarem. “No total, a adesão da modalidade é baixa”, afirma.

Na avaliação de Alexandre, as principais dificuldades são acesso à infraestrutura por parte de alunos, computador e mesmo internet, além da ausência de capacitação dos docentes, o que prejudica muito a qualidade do ensino e aprendizagem. “Não é uma modalidade usual na UFFS, apenas pequena porcentagem são semipresenciais, dificilmente ultrapassando 20% da carga horária total”, disse.

UFC – Ceará

Conforme Edvanira Oliveira Brito (Nira), formada em Geografia, pós-graduada em Gestão Ambiental, técnica-administrativa da base do SINTUFCE (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do Estado do Ceará) e representante dos TAEs no Conselho Universitário da UFC, a educação remota é importante em situações peculiares e específicas, cuja implementação deve ser planejada e adaptada.

“O ensino remoto cabe bem a algumas comunidades, para pessoas que não têm tempo disponível para estar num processo presencial e que têm como única opção para capacitar, ter uma instrução”, analisa.

O coordenador-geral da FASUBRA José Maria Castro destaca que a Federação é contrária ao ensino remoto. “Achamos que é um equívoco hoje a reitoria da UFC estar fomentando esse tipo de aprendizagem”, criticou.

UFSM – Santa Maria

Luiz Eduardo Boneti Barbosa, estudante de Direito da UFSM e integrante do DCE (Diretório Central dos Estudantes), diz que foi implementado o programa Rede (Regime de Exercícios Domiciliares Especiais), mas o diretório defende a suspensão imediata do projeto. “Foi uma decisão unilateral da atual gestão da reitoria, não foi construída em conjunto com as categorias, sendo que afeta diretamente os docentes e os discentes”.

Ele defende que questões centrais devem ser avaliadas, como o acesso a meios digitais de qualidade; a saúde mental, por conta da pandemia; e a situação financeira das famílias. “A gente promoveu uma pesquisa de opinião pública e as respostas que obtivemos, mais de mil, mostraram os problemas que a adoção de um regime remoto traz”.

A FASUBRA reconhece que neste momento é necessário manter e ampliar o isolamento social como forma de manutenção da vida. Reconhece também o papel fundamental que as universidades e institutos federais têm no combate à COVID-19, tanto pelo desenvolvimento científico e produção acadêmica, como pelas atividades de atendimento à comunidade em campanhas de solidariedade e por meio do atendimento nos Hospitais Universitários (HUs) que estão na linha de frente de combate.

As Instituições Públicas de Educação têm o papel de focar na utilização dos recursos tecnológicos e também financeiros para garantir a saúde mental, a saúde coletiva, além de desempenhar atividades que impulsionem o combate ao novo coronavírus. Não concordamos com o uso da pandemia para “passar a boiada” nem “colocar a granada” no bolso, como disseram os ministros de Bolsonaro.

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